Tuesday, May 29, 2007

Noite escura

Pelos vales às sombras vagam,
Pobres almas que se calam
No silêncio de uma plenitude.
Instrumentalizada, idealizada, executada,
Vagarozamente nos fazendo enlouquecer
Com sua musicalidade silênciosa.
Regressaremos, improvisaremos,
Destorcendo, alimentando à sonoplastia desta paixão.
Nos caminhos da noite,
Universos lisérgicos se misturam,
Reverberando pelos caminhos,
Com suas frases explosivas,
Onde o sonho se desfez pela estrada.
Escuto vozes estéricas rasgando os céus,
Garras arranhando às paredes,
Lâminas afiadas que rasgam a pele.
As ruas me chamam,
As luzes me convidam,
Temos um banquete e iremos a rigor.
Na estrada, à vida escorre devagar,
Correndo para os braços do amor.
A madrugada,
Numa adocicada gargalhada veio me buscar,
Arde o desejo, à febre,
Preso nela por um fio,
Na imensidão deste mundo vazio,
No fel deste amor doentio.
Um ramo de flor, um feixe de luz,
Uma gota de amor que transcorre à noite escura,
Luzes, tentáculos, reflexos que me perseguem
Numa fulga alucinada.

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