Thursday, October 09, 2008

A morte num lago

Eu não sei esquecer,
Não me ensinaram essa parte,
Não aprendi à fazer dessa forma,
Não consigo ser desse jeito,
Não consigo agir dessa maneira,
Não me vejo assim,
Não, não é o fim.
Mesmo que não veja, que não seja,
Que não tenha e não esteja,
Não posso apagar tudo,
Eu não tenho este poder,
Não há como esquecer.
É tão triste lembrar,
O tempo não pode voltar,
Sonhar sozinho, arrumar tudo e não ver você chegar,
Olhar pra noite e não encontrar o teu olhar.
Eu me perco, pois, já não há outro caminho,
Nem rumo ou direção,
Não há flores no deserto da paixão.
Estou só e perdido, és passado.
Ficaram as marcas do sofrimento,
Às lembranças no pensamento,
Às folhas foram destacadas pelo vento,
Já não há tempo.
O vento ainda sopra em meu ouvido,
À mesma nota que ouvi, quando te vi voltar.
Hoje o vento forte arranca os meus sonhos,
Leva os meus pensamentos voltados pra ti,
Há apenas a lembrança do gosto amargo,
À dor de nenhum afago,
À morte num profundo lago.
O que tinha de ser atraso, já foi atrasado,
Assim se afogam os valores,
Se perdem os amores deste pobre ser,
Que agora se afunda na lama tentando esquecer,
Que à solidão seduziu e fez morrer,
Que já não vive nem sabe viver.
Hoje enterro o meu passado junto à tua lembrança,
Não há, nem haverá esperança...
Haverá, outra maçã,
Assim espero o amanhã.

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