Wednesday, July 18, 2007

Epopéia

Desde o princípio,
Habitando os meus pensamentos,
A imagem da perfeição,
Me veio sob a forma de uma criança,
Desprovida de pecados e maldades,
Livre de sentimentos mediocres e pensamentos impuros.
Como à foz de um rio que encontra o mar,
Como às rosas brancas que um dia me fizeram sonhar.
Sonhei enquanto dormia,
Sonhara com as mais doces aléias do destino,
Frequentadas pelos seres mais nobres,
Onde à musica embebedava os deuses.
Despertando com o balsâmo das manhãs,
Ao som da lira arpejada pelas criaturas celestes,
Ela estenderá às suas mãos,
Soprando sobre os nossos olhos,
O polén das anêmonas.
Uma criança que nascera para dar ao fogo,
Um sentido para o seu ardor,
Que viera com a bruma,
Trazendo frêmitos de uma lânguida criança,
Agora ensandesida pelo teu amor.
Sonhei enquanto caminhava,
Sonhara nos braços da noite
Encontrar um abrigo,
Repousando sobre à relva enluarada,
Desejava beber da musica que os fizeram alegres.

Tuesday, July 17, 2007

Um quadro comum

Sem um par de meias pra calçar,
O frio nos pés é um quadro comum,
Embaçado por trás da janela fechada.
O gêlo da solidão petrifica o coração,
Ele já não tem tanta pressa em correr,
O tempo já não é um alíado.
Feridas na mente tardam a fechar,
Por um árduo caminho,
Estendem-se os passos.
Pelas sombras da noite seguimos as luzes,
Nosso instinto nos faz perder os sentidos,
Estamos falidos, falência multipla dos orgãos.
Agora cansado de bater, desacelerado,
Definha no peito à mórbida frieza.
Ele já não sente o mesmo entusiasmo,
Sem calor a sua pele enrugada se encolhe,
Trêmulando, definhando até perder os sentidos,
Adormecendo num deserto gelado.

Thursday, July 12, 2007

Cinzas e Sombras

Das cinzas nascem as sombras,
Das sombras fogem as almas,
Das trevas correm as vidas,
Das vidas restam as palmas.

Da primavera brotam as flores,
Dos amores vingam os sonhos,
Dos sonhos nada mais restou,
Dos amores ninguém mais gozou.

Da noite surge o desejo,
Do desejo nasce o dia,
Da poesia trasncorre à vida,
Desta vida resta-me apenas uma fantasia.

De dentro nasce o sentimento,
Brotando como uma flor,
De amor rega-se à vida,
Desta vida resta-me apenas uma dor.

Cinzas e sombras,
Sonhos que alimentam sentimentos,
Palavras que voam com o vento,
Lágrimas que secam com o tempo.
Cinza cor do céu nublado,
Deste fatídico dia nefasto.
Nebulosa cor destes dias escuros,
Tão longos e chuvosos,
Destas noites de inverno rigoroso.
Pálida manhã,
Coberta pela neblina cinzenta,
Esconde o sol que mais um dia se ausenta.
A chuva agora cai sobre mim,
Lavando à minha alma.
Nesta tarde cinzenta,
A morte é lenta,
Pobres vidas dormem ao relento,
Pobres almas perdidas no esquecimento.
Nestes dias tão cinzentos,
Alguém se jogou do apartamento,
O barato é mesmo muito louco,
Quanto ao processo, nem sempre foi tão lento.

Paixão Carioca

Essa é a dor de um sonhador,
Esperando anoitecer,
Um errante navegante
Desses mares do prazer.
Lá se vai mais um dia,
Lá se vai o meu amor,
Lá se vai à minha vida,
Pelas pedras do Arpoador.
São às morenas cariocas,
Que passeiam pelo calçadão,
São às mulatas brasileiras,
Donas deste coração.
É lá no Rio de Janeiro
Que à morena tem gingado,
É no batuque do pandeiro
Que ela sobe o Corcovado.
Se o Flamengo entra em campo,
É rubro-negro este coração,
Se à Mangueira desce o morro,
É verde-rosa esta paixão.
Me apaixonei pela garota de ipanema
E também pela princesinha do mar,
Foi lá na Guanabara,
Que à mulata eu vi sambar.

Thursday, July 05, 2007

Porto Seguro

Eu olho pra você
E vejo um porto seguro,
Um lugar tranquilo,
Uma noite quente.
Estou vendo agora,
O sol ardente...
A sombra, à brisa, à musicalidade,
Um caminho pra felicidade.
Eu olho pra você e vejo,
Talvez possa um dia noutro horizonte encontrar,
Nestes olhos pretendo mergulhar.
Eu olho pra você e sinto,
Eu sinto, o fogo queimar,
O sangue ferver,
Estou ficando louco,
Cada vez mais louco por você.
Meu amor,
Meu Porto Seguro.

Primavera

Chega mais perto,
Não fala nada,
Deixa correr a madrugada.
É primavera, às flores vão nascer
No deserto da paixão.
A chuva vem regar,
Vem nos abençoar,
O vento vem varrendo à poeira,
À brisa vai descendo à ladeira.
Eu vou plantar uma semente,
Esperá-la florescer,
Eu vou colher os frutos deste louco amor.