Wednesday, September 27, 2006

Lágrimas Sinfônicas

Agora chora minha viola,
Derramando o teu meloso amor,
Expressando à tua angústia e dor,
Dedilhada com todo sentimento,
Na luz do firmamento.
Os dedos deslizam,
Trazendo o pranto nas harmônicas,
Lágrimas sinfônicas,
Que agora escorrem pelas mãos,
Minando do coração,
Entre arpejos e solfejos,
Na tempestade que desàgua lá forá,
No frio que faz aqui dentro,
Na calorosa lembrança,
Queimando neste pensamento.
Grita dentro do peito,
Ferve neste leito,
O desejo, à paixão,
No foço deste coração,
Onde o fogo fez morada,
Onde és fria e pobre à madrugada,
Ardente na pele febril.

Tuesday, September 26, 2006

Colosso

É tempo,
Cedo ou tarde, ainda há tempo,
Sempre haverá tempo,
Tempo pra gastar, ganhar, perder.
É preciso correr,
Ir adiante,
Seguir em frente,
Avançar,
Agarrando cada sonho,
Buscando à felicidade com unhas e dentes,
Perseguindo cada meta traçada,
Lutando até à ultima gota de sangue.

É tempo de lutar,
Não podemos esperar,
Somente o amor poderá nos salvar.

O tempo é novo,
Impávido colosso,
Vai passando devagar,
Nos fazendo viajar,
Paro, penso, sinto,
Guardo ou jogo forá,
Chamo ou deixo ir embora,
Sei que vai passar,
Nos fará mudar,
Depressa, lentamente,
Num sorriso nos fará contentes,
Abraçaremos a felicidade,
Libertos e salvos ,
Encontraremos a eternidade,
Livres e tranquilos,
Num caminho de luz,
Arrebatado pelas garras deste amor.

Thursday, September 21, 2006

Algo de novo

Algo de novo no ar,
Surgindo e se espandindo,
Fluindo nas profundezas do olhar.
Algo de novo,
Trazendo alegria,
Colorindo um novo e lindo dia,
Adoçando à fantasia,
Libertando à poesia.
Algo de novo,
Preenchendo o espaço vazio,
Trazendo calor neste tempo tão frio,
Invadindo o pensamento,
Fazendo brotar o mais puro sentimento,
Renascendo, despertando para o mundo,
Fazendo crescer este sentimento profundo,
Trazendo de volta o brilho,
Tornando-se cada vez maior e mais forte.

O sol arde à meia noite

As lágrimas correm, escorrem,
Transcorrem lentamente,
Manchando às páginas da vida
Num improviso descontente.
Como são tristes as despedidas,
Feridas que seguem abertas,
Expostas ao caminho tortuoso,
Nas sombras do olhar espantoso.
A vida é mesmo breve,
O sol arde à meia noite.

Ouvindo às estrelas

Nunca pude esquecer,
Nunca soube viver,
Vou tentando aprender,
Mas não posso esquecer.
Os teus cabelos vermelhos,
Os teus doces lábios de mel,
Os teus olhos brilhantes,
Estrelas que hoje brilham neste vago céu.

Nunca quisera esquecer,
Fui estúpido ao ponto de te perder.
Ela se foi, e assim sem o teu amor eu fiquei,
O tempo passou,
Ela não voltou,
Ainda estou aqui, pois não me esqueci,
Nunca esqueci o bem que me fez.

Que doce lembrança,
Ainda há esperança,
Não posso esquecer o amor,
Assim permaneço calado,
Imaginando novos caminhos entrelaçados.
As estrelas hoje falam pra mim,
Falam do brilho e da luz que há em todo fim,
Ouço às estrelas,
O cântico da noite,
O sopro da ventania,
A esperança no grito da poesia,
Quebrando os grilhões a ferro e fogo.

Os dias vem e vão

Os dias vem e vão,
Cantaremos para espantar a solidão.
Eles virão,
Carregados de chumbo e dor,
Rasgados pelos dentes que desprezam o amor,
Replétos de ódio e sofrimento,
Oferecidos ao esquecimento.
Quando à tristeza lhe fizer em vão chorar,
Choverá,
Então passará,
Mais uma noite virá,
Acenderá, à velha chama do amor.
Os dias são escuros,
Quando o sol não vem,
São tristes,
Quando não se tem
Alguém pra compartir,
São secos,
Quando não se tem o que devidir.
Os dias correm para o fogo da noite acender,
São muito mais felizes,
Quando se encontram por prazer.

Wednesday, September 20, 2006

Os dois lados da moeda

São dois caminhos e um destino,
Duas portas que se abrem,
Duas vozes que nunca se calam,
Duas asas e um desejo.

São dois caminhos entrelaçados,
Dois espinhos encravados,
Um na mente, e outro no tendão,
Um na alma, e outro no coração.

São muitas rotas e apenas um rumo,
Não se pode fugir do destino
Que predispõe à razão,
São dois poços profundos,
Dois abísmos inundos,
Entre à glória e à perdição.

São poços, foços, abísmos,
Pétalas, estrelas, espelhos, portas e janelas,
São duas asas de borboleta,
Os olhos da ninfeta,
Dois faróis acesos piscando,
Às vozes do mundo silêncioso
Ao mesmo tempo falando.
Os dois lados da moeda,
Os opostos que se atraem,
O magnétismo sedutor,
As cargas do temor.

É preciso conhecer os dois lados ,
O Bem e o Mal, caminham juntos,
Sobre um fio estendido
Entre duas torres paralelas.

Tuesday, September 19, 2006

Doce na estrada

Estrelas do céu
Barcos de papel
Cacos no chão
Coisas do coração
Páginas rasgadas
Paredes rabiscadas
Flores do campo
Ares do sul
Anjo Vermelho
Gotas de mel no céu azul
Doce na estrada
Pétala dourada
Flor da madrugada .

O manto

Quando à noite abre o seu manto,
Percebe-se o pranto,
Escuta-se o canto,
O caminho se estende,
Às mãos revelam a virtude do ofício,
Da janela, às nuvens passam devagar.
Olhos fixos no céu, ela não vem me enfeitiçar,
Não voltará para os meus braços,
Não acompanhará os meus passos .
O vento toca às nossas faces,
Carregando às nossas almas,
Levantando os nossos sonhos,
Olho pela janela e os vejo ganharem alturas,
Talvez cheguem onde brilham as estrelas .

Despertar

Desperta,
Ó pálida manhã.
No canto dos passáros,
No pranto dos desabrigados,
No cio dos condenados,
No fel de uma eterna dor,
Na falta deste louco amor.
Desperta,
No colo dos aventurados,
No berço dos embreagados,
Nas pequeninas asas de um beija-flor,
Nos braços deste nobre amor.
Desperta,
Nas cristas das maiores ondas,
Nas lágrimas que caem do céu,
No mel deste sublime amor.
Desperta, sem nenhuma outra pretenção,
No calor do coração,
Nas canções do gôndoleiro,
Nos sonhos do forasteiro,
Na voz de um errante cantador,
Nas visões deste navegante sonhador.

Monday, September 18, 2006

Meu anjo

Meu anjo, os teus olhos brilham,
Eles brilham só pra mim.
Meu amor, não deixe à noite morrer,
A minha vida é você.
Meu anjo, minha paz,
Minha vida, minha luz,
Meu amor, minha dor,
Minha alma, minha cruz.

Os anjos sabem tudo sobre mim,
A minha história do princípio ao fim,
Sabem quanto desejei,
Um par de penas sobre os ombros,
Mas Deus não me deu asas.

Anjo meu, vida minha,
Meu doce amor,
Minha rubra rosa flor.
Meu coração, minha doce ilusão,
Fervorosa paixão.

Cada um, usa à sua arte como bem quizer,
Usando essa esquina,
Como o mais belo corpo de mulher.
Nestas curvas eu vou me perder,
Esta noite quero estravazar,
Manhã cedo vou adormecer,
Neste sol vamos nos banhar.

A força da palavra

O poeta nasce para o mundo,
caminhando sem rumo.
A vida escorre pelas mãos,
Daquele que através da poesia
Escreve à sua história,
O seu amor é a sua glória .
Vagando pela estrada,
Ele ergue à sua espada,
À força que vem das palavras.