Thursday, August 28, 2008

Pérola

Não há vozes, nem mistérios,
Nada é tão sério.
Não vêmos outra saída,
Foi aberta uma ferida.
É profunda, o sangue se estancou,
O coração calou, mas a dor é aguda.
Não há valores nem amores,
Nem melhores nem piores,
A farinha é derramada,
Não há inocentes nesta turva estrada.
Pérola,
Seja negra ou branca, és preciosa,
te encontrei num caminho obscuro,
hoje nos desencontramos, e assim vivemos em cima do muro,
É um dilema,
Não tem problema,
Espero que me telefone ao menos para me xingar,
Ou que esqueça e me deixe passar.

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Thursday, August 14, 2008

Olhos estrelados

Meu bem,
O mar se levantará,
Ele virá banhar os teus pés com a força das marés.
Num caminho de areia escreverei o teu nome,
Logo verás quando passar,
As ondas apagarão as letras que escreverei,
Mas você guardará à lembrança deste céu estrelado,
Guardarás a visão do que lhe foste revelado.
Meu bem,
Ainda sonho na beira da praia,
Os teus pés descalços,
Teus cabelos soltos,
Teus lábios doces transbordando todo o mel,
As estrelas deste vago céu,
Teus olhos estrelados,
O caminho enluarado,
O estreito caminho que no brilho vejo,
Que no fogo ancejo,
Meu maior desejo,
Você numa noite de luar,
Onde eu possa caminhar tanquilo,
Nos caminhos deste teu olhar.

Velas acesas

Acendo uma vela numa noite de lua,
À caminho de casa, vou cantando pela rua.
Canto pra espantar os males e as dores,
Pra esquecer os amores que não pude sustentar,
Pra esquecer os sonhos que não poderei realizar.
Acendo outra vela ao sol da noite,
Escrevo à canção,
Sou dela, é dela este coração,
Assim como os desenhos e as canções,
Como todas as minhas coisas e ilusões.
O frio do inverno me faz lembrar,
As meias que já não posso calçar,
As minhas musicas, ela já não quer mais cantar.
Outra vela,
Velas acesas, ancoradads no paraíso.
Nadaremos até à lua,
Correremos nús pelas ruas,
Comeremos o fruto das manhãs,
Despertaremos os passáros ao devorarmos as maçãs.
Velas acesas para o banquete,
O sol virá nesta noite de luar...
Nos fazendo acreditar.

Meu lírio

Encontrei o que à muito procurava.

Nas curvas da estrada,

Eu encontrei o que tanto desejava,

O que sonhava e almejava,

À noite enluarada.

Encontrei o brilho de um olhar, o luar,

Uma tela branca, pronta pra pintar,

Teus olhos, um luminoso caminho colorido,

Você, meu lírio.

O caminho, o sentido,

À luz no final do túnel,

A sublime razão,

À única estrela deste céu escuro,

À metade deste louco ser,

O vício do ofício,

Meu amor, meu bem querer.

Encontrei, já não preciso procurar,

Tua boca agora, eu quero beijar e beijar,

Foi muito bom te encontrar,

Aqui é o nosso lugar.

Agora só precisamos regar a mãe,

Ela dará flores e amores,

Flores secas em noites quentes,

O barro amassado, meu quintal, meu telhado,

O fogo é crescente como à lua nova,

Embrasando este meu coração,

Enlouquecendo-me de paixão.

Wednesday, August 13, 2008

Beija-flor

Não há graça alguma,
Não tem alegria nenhuma,
Não há prazer nenhum,
Não há sentido algum,
Nem verdades ou mentiras,
Nem brilho, nem luz,
Nem poesia, nem harmonia,
Nem cores, nem valores,
Nem amores ou paixões,
Nem estrelas, nem ilusões,
Tudo se perde, se vai,
Não há beleza, tampouco grandeza,
Não há nem haverá outra certeza.
Não há outro caminho,
Não posso seguir sozinho,
É contigo que quero compartir,
És a flor que desejo despir.
Flor do deserto,
Rosa dos ventos,
Trazes a inspiração,
Enlouquece esta vida minha,
Abre este meu pequenino coração.
Florescentes pensamentos,
Me fazem esculpir-te num jardim enluarado,
Como um beija-flor apaixonado,
Banho as minhas asas no lindo lago do amor,
Mergulho e vou beijar a mais pálida flor,
Voando vou levando o meu amor, carregando à minha dor.

Friday, August 01, 2008

Nada perdeste

Vieste ver com os teus próprios olhos,
A minha imagem e decadência.
Vieste saber que nada perdeste,
Que tudo foste e ainda é.
Veio para mim, pros meus olhos sentirem,
Para, eles saberem o que perderam,
O que tiveram e não valorizaram.
Hoje, nada tenho e tudo quero,
Vago pela noite e ainda espero.
Vieste com todas as cores,
Trouxeste todas as formas,
Acendeste todas as luzes coloridas e efervescentes,
Derreteste o gêlo que petrificava o coração,
Prendeste o fogo ardente da paixão.
Vieste da forma mais simplória,
Escreveste a nossa história num poema, num desenho,
Numa musica, numa fulga insana que nos salva da prisão.
Vieste alimentar a minha vida,
Cicatrizar a profunda ferida,
Me fazendo esquecer a dor e à solidão,
Enaltecendo à arte nos braços,
Nos laços do amor d'uma grandiosa paixão.
És a única entre todas as outras,
A única que desejo conquistar pra nunca perder,
Que desejo amar pra nunca esquecer.
Vieste abrir as portas e janelas e todas as cancélas
Que me impessão de passar,
Trouxeste o brilho e o encanto,
Me fizeste acreditar.
Vieste para marcar, para me fazer sonhar com as alturas,
Para fazer-me entender que tão alto posso cair,
Que por mais duro que seja o caminho não deveremos desistir.
Vieste para o fogo, à velha chama acender,
Me mostrar os caminhos,
As curvas do prazer.
Pra minha sorte...
Apareceste à margarida,
foste e ainda és a mais querida.
Brisa leve que por aqui passou, troxe os perfumes e as lembranças,
Me fez acretitar com esperança,
Me fez lutar pela vida acendendo este sonho.
Por isso venha, venha quando quiser,
Quando tiver vontade de ver e saber,
Que realmente nada perdeste.